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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2018
Chamusca no centro do debate sobre economia circular

Economia Circular 01

 

 

CCDR Lisboa e Vale do Tejo escolhe concelho da Chamusca para debater a economia circular, um pilar do desenvolvimento da região, e coloca em destaque a centralidade do Eco Parque do Relvão como plataforma de simbioses industriais e de criação de comunidades de energia

A CCDR de Lisboa e Vale do Tejo, em parceria com o Município da Chamusca, promoveu um seminário sobre “Economia Circular para a Região de Lisboa e Vale do Tejo”, no passado dia 29 de outubro, nas instalações do antigo Centro Regional de Artesanato.

Na abertura do seminário, o Presidente da Câmara Municipal da Chamusca, Paulo Queimado, salientou a importância deste tema para a estratégia de desenvolvimento do concelho e agradeceu a escolha do concelho como ponto de partida para o debate sobre este tema, que está a ser dinamizado pela CCDR na região de Lisboa e Vale do Tejo. Paulo Queimado disse ainda que o Eco Parque do Relvão está a dar um contributo para a criação de uma grande comunidade energética regional e que o grande cluster da indústria ambiental aqui instalado dispõe de ferramentas e conhecimento para apoiar o desenvolvimento da grande região de Lisboa e Vale do Tejo.

“O Município da Chamusca tem um projeto de desenvolvimento económico que dá grande ênfase à economia circular. No próximo mês de dezembro vai acontecer a reinauguração do Centro de Empresas com valências de apoio ao empreendedor, à investigação e ao desenvolvimento de novos produtos, muito voltados para as questões ambientais", frisou o Presidente da Câmara Municipal da Chamusca.

O Presidente da CCDR-LVT, João Teixeira, frisou a ideia de que o Eco Parque do Relvão pode beneficiar com a afirmação de Lisboa como grande plataforma atlântica e que a Economia Circular é um tema prioritário transversal a vários pilares prioritários da região. Por isso também a escolha da Chamusca para dar início ao grande debate em torno desta temática que envolve tópicos mais específicos como reciclagem e reutilização, resíduos, mercados locais e reusos, novos materiais e design de produto, recursos locais e transformados, ciclos e produção industrial, energia, transportes e logística.

O Presidente da CDDR informou ainda que, em breve, o organismo que representa vai publicar quatro estudos sobre a Economia Circular e as suas aplicações, com indicação de práticas para as autarquias. Estes estudos abrangem, por exemplo, a questão da economia circular em setores como o vitivinícola e o da construção civil (ciclo dos materiais e possibilidade de reutilização dos edifícios para novos usos, prevendo essa possibilidade logo na construção). Segundo João Teixeira, a temática da Economia Circular é um dos pilares da Estratégia de Desenvolvimento 2030 da RLVT.

Eco Parque na linha da frente da valorização de resíduos

Um dos oradores convidados, o Presidente do Agrocluster, Carlos Lopes de Sousa, deixou a informação de que a região num raio de 150 km em torno de Santarém gera mais de 250 mil toneladas de resíduos agroindustriais e que o Eco Parque poderia dar uma resposta ao tratamento destes resíduos, enfrentando a resolução do problema de uma forma centralizada e com escala, associando a isso a integração de vários resíduos com o objetivo de produção de energia. O empresário defende a criação de uma instalação-piloto no Eco Parque, que possa servir para validar esta possibilidade e que consiga trabalhar numa pequena escala para testar a capacidade. Por outro lado, sublinhou a importância de fazer uma melhor gestão dos agroquímicos e dos resíduos associados à atividade agrícola, assim como defendeu o regresso a antigos processos de conservação (cura, fermentação) dos alimentos, como forma de reduzir a produção de resíduos. Está também em cima da mesa a possibilidade de criação de novos produtos com base em produtos agrícolas degradados, algo que já está a ser feito por algumas agroindústrias da região. Os resíduos orgânicos e inorgânicos, que sejam devidamente tratados, podem também ser reutilizados como corretivos para terrenos menos produtivos. Outra possibilidade em aberto é que as ETARS domésticas e industriais possam avançar para o reforço do tratamento terciário e que a água resultante do processo de tratamento possa ser usada em regas de jardins, lavagens de rua e para a agricultura.

Neste seminário falou-se ainda da aposta da CCDR no projeto Liswater, que envolve o Instituto Superior Técnico, e que pretende atrair para Portugal os quadros de topo de grandes empresas da área ambiental para aqui fazerem formações avançadas sobre gestão de águas, saneamento e resíduos sólidos. No topo das prioridades da CCDR está também o Projeto Tejo, que prevê o aproveitamento hidráulico do rio Tejo e que a CCDR quer agarrar porque, segundo o presidente João Teixeira, "se não houver entidades que o coloquem no mapa, o projeto vai deslizando e atrasa-se como hoje se diz do Alqueva".

Abordou-se também a importância de desenvolver as simbioses industriais, como forma de aproximar os vários setores da atividade económica e de reinventar o ciclo produtivo. Nem sempre são necessárias grandes alterações, há soluções simples que surgem da interação entre os agentes do mesmo território ou do mesmo setor.

 

 

Chamusca representada na Carta Gastronómica do Ribatejo  

 

 A Carta Gastronómica do Ribatejo foi apresentada no dia 1 de novembro, pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo/Ribatejo, e inclui diversas receitas tradicionais da Chamusca, disponibilidades por utentes do Lar da Santa Casa da Misericórdia, Universidade Sénior da União de Freguesias da Chamusca e Pinheiro Grande e da Casulme – Centro de Apoio Social de Ulme. 

O guia reúne cerca de 600 receitas comuns do dia-a-dia dos nossos avós, das tradições dos 11 concelhos que integram a Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, e que foram recolhidas pela Confraria Gastronómica do Ribatejo, num projeto liderado pela Entidade de Turismo. A obra é composta por dois volumes e reflete também sobre os aspetos históricos da alimentação do Ribatejo, nomeadamente, da importância dos produtos da terra, como a carne de toiro bravo.    

No lançamento da Carta, os municípios representados no livro apresentaram uma mesa com alguns das receitas e produtos contidos no guia.  



publicado por Noticias do Ribatejo às 16:27
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