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Domingo, 27 de Setembro de 2020
Como estão a ser criadas as novas gerações

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A propósito do modo estão a ser criadas as novas gerações, tenho pensado mais, na minha infância. Confesso que me tenho sentido apreensiva.

Festejávamos sempre os santos populares na minha rua. Os miúdos juntavam-se e faziam uma fogueira. Eu pertencia ao grupo dos mais novos, o evento era criado pelo meu irmão e pelos outros adolescentes responsáveis da rua.

A fogueira montava-se, acendia-se e depois saltávamos. Primeiro com o lume baixo, claro. Gradualmente, os mais novos davam lugar aos mais velhos e mais aventureiros, que saltavam com o lume alto. Como eu tinha um alter ego substancialmente desenvolvido, para a minha  idade, às vezes armava-me aos cucos (neste caso voadores), e saltava uma fogueira que devia ser mais ao menos proporcional ao meu tamanho minorca.

Recordo uma vez em que, ao saltar, tropecei num galho maior que os outros e caí de cara no chão, provavelmente com um dos sapatos chamuscado. Ou o rabo. Não me recordo bem.

A memória confunde-se com a recordação do pó e do cheiro a chamuscado.

 O meu irmão chamou-me um nome qualquer (provavelmente estúpida), puxou-me por um braço (arrastou-me, a bem dizer), levantou-me e sacudiu-me.

Estava inteira, apesar de arranhada na cara e nos joelhos (os últimos devido ao arrastão de que fui vítima). Ameaçou mandar-me para casa se não me juntasse aos da minha idade e provavelmente deu-me um empurrão para me pôr a andar. E tudo ficou bem. Tudo normal.

Mais tarde, na adolescência, a estudar no Entroncamento, a vida era uma aventura diária.

Íamos de bicicleta até à estação de Mato Miranda, três quilómetros a pedalar. Depois apanhávamos o comboio que nos levava para a cidade. Chegados lá, seguíamos a pé para a escola, atalhando caminho bem pelo meio das linhas ferroviárias, porque ir à volta dava imenso trabalho. Tudo normal.

Quando chovia, chegávamos à escola feitos nuns pingos. No meu caso particular, recusava abrir o chapéu de chuva. O meu cabelo era sempre uma mistura dos penteados da Diana Ross e do Bob Marley e uns pingos de chuva davam sempre aos meus caracóis a forma ideal, que se aguentava, pelo menos, até meio da manhã.

Sim, porque na altura a espuma e o gel ainda eram artigos raros.

Do meu cabelo emanava um ligeiro cheio a mofo durante o resto do dia, mas que valia bem a pena!

À noite, no regresso a casa, esperavam-nos sempre, mais uns quilómetros de bicicleta, quase todos sem luz, porque a maioria destas eram chaços velhos herdados dos primos ou dos irmãos mais velhos e a estrada não era iluminada.

Recordo um dia em que vínhamos no comboio, animadamente, a falar de fantasmas e aparições.

Quando eu e a minha única companheira de caminho percebemos que nos esperava fazer aquele percurso pelo meio do campo, sozinhas, no escuro, acagaçámo-nos e decidimos deixar as bicicletas para trás e pedir boleia a uma senhora conhecida, que conduzia um moderno Renaut 5 cinzento.

Chegadas à entrada da Azinhaga, e como o carro passava mesmo em frente à casa dos meus pais, perguntei-lhe se podia parar.

Resposta dela:

- Quanto mais para mais gasta!

E levou-nos simpaticamente até à porta dela, onde saímos as duas do carro, agarradas uma à outra, a tremelicar, com a memória da conversa no comboio, aliada à perspetiva do caminho  que ainda nos esperava.

Seguimos agarradas até ao fim da rua, onde olhámos uma para a outra com o olhar de quem sabia que a partir daquele momento era cada uma por si, e desatámos a correr em direções opostas.

Cheguei a casa ofegante, cansada e vermelha, com ar de quem tinha realmente visto um fantasma, perante o olhar perplexo dos meus pais.

Tudo normal.

Perante tudo isto, assoma-me à mente uma única pergunta:

Onde raio estavam as autoridades competentes nesta altura??



publicado por Noticias do Ribatejo às 08:00
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