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Por: Florbela Gil
Meu filho mais velho sempre foi meu amigo, ajudava-me muito, para ganhar algum dinheiro, a filha mais velha tinha 7 anos, ia guardar os perus com o irmão, a mais nova foi para um asilo.
Fui enganada, por umas pessoas, que ao saberem que estava viúva, e tinha uma filha pequena, disseram que me iam ajudar, e eu assinei um papel, pensando que era a ajuda.
Esse papel, era para entregar a menina para adoção.
Foi o que me disseram, quando fui para a ir buscar, para a ter ao pé de mim. Podia ser pobre, mas não queria a família separada.
Não a deixaram sair do asilo, porque eu tinha assinado o papel. Desgostosa, fui fazer queixa, como não sabia lêr bem, eu não li o tal papel.
Só me deixavam ir visitá-la, ao fim de semana. Mas não a deixavam sair.
Para eles eu não tinha condições para ter a menina.
Assim se passou quase 4 anos.
Conheci entretanto um senhor, que também era viúvo, com um filho. Eu contei que tinha 3 filhos, mas que me tinham roubado a mais pequena.
O Filipe, assim se chamava, tentou ajudar-me a recuperar a menina, mas disseram-lhe que para isso, eu tinha que ser casada.
Olhou para mim e disse,:"- caso contigo, para teres de volta a tua filha."
Vamos já amanhã tratar dos papéis.
Eu concordei, queria muito a minha filha pequena.
Assim fizemos. Casamos pelo civil. Meses, mais tarde, o asilo, entregou-me a menina. Tinha já 7 anos. Era linda, loirinha, olhos azuis.
A alegria dos irmãos, todos juntos, foi para mim a maior alegria também. E assim fiquei a viver com o Filipe e o seu filho, agora éramos muitos em casa, as dificuldades continuavam, ele ganhava pouco, eu também, os rapazes começaram a ter ciúmes um do outro, brigavam muito. Mas tudo teve que se aguentar.
Dois anos depois voltei a engravidar duma menina, o Filipe ficou muito feliz.
Mais uma vez a história repete-se, começa a haver menos trabalho, eu ia lavar roupa de senhoras ricas para o rio, metia-me dentro, com água pela cintura, e os lençóis brancos , voavam no cimo da água. Dores nas articulações da água fria, eram muitas. Meu marido, de vez em quando vinha bêbado para casa. E eu tinha que sair para a rua com miudos, até ele adormecer.
Assim levei a vida, com muita dificuldade, os miudos cresceram, namoraram e casaram.
Fui ajudando os filhos, tomando conta dos netos, ajudei a criar todos, junto com uma neta, filha da minha filha mais velha, a minha Belinha.
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Agora quem vos vai contar o resto desta etapa da vida da avó Placidina sou eu mesma, a Florbela Gil, a Belinha da avó.
Tinha 4 anos, minha avó, passava á sexta por casa da minha mãe quando saia da fábrica, para me levar para casa dela.
Enquanto esperava pela hora, da avó aparecer, ficava em frente á janela, olhando os pombos a voar, faziam desenhos no céu, quando voavam em grupo, as andorinhas também, ainda hoje, quando vejo uma imagem dessas lembro-me e fico a contemplar o quanto é de bonito. Pequenas coisas que poucos sabem, ver...apreciar...
Saber ver nas coisas simples, o que existe de bonito, não é para todos.
Irei continuar para a semana, esta história verdadeira, sim porque tudo o que vos escrevo, não são histórias inventadas, são muito reais.