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Domingo, 2 de Novembro de 2014
CULTURA AVIEIRA: “Porta-vozes da memória Avieira”

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 Por: Lurdes Véstia

No âmbito do Projecto Nacional da Cultura Avieira e na consequente inventariação do património imaterial Avieiro, temos vindo a recolher vários testemunhos orais - histórias de vida - contadas por Avieiros/as, na sua maioria muito idosos, que têm sido o suporte principal da forma de documentar o intangível desta cultura. Esta forma de transmissão do conhecimento assume importância fundamental em todo o processo de salvaguarda do património cultural imaterial Avieiro.

“Porta-vozes da memória Avieira” são homens e mulheres que enraízam totalmente as aptidões e técnicas necessárias (saber; saber / fazer; fazer) à manifestação dos aspectos da vida cultural das comunidades Avieiras e à durabilidade do seu património cultural material. Aplica-se àqueles que protegem ou preservam o seu património cultural material, pois enquanto o património tangível facilmente sobrevive ao seu criador, as manifestações imateriais encontram-se intimamente ligadas às comunidades, grupos e indivíduos que as executam, estabelecendo uma ligação real, mas também simbólica, entre as gerações.

No relato das histórias de vida do feminino Avieiro estão concentradas dezenas de peças de cancioneiro, lengalengas, rezas e mezinhas e várias narrações, entre lendas e contos populares e que estavam em “risco de extinção”. Já no imaginário masculino encontramos relatos de técnicas de reparação de redes, do trabalho em madeira para reparar os barcos, da preparação da forma tradicional dos betumes para cobrir as frestas do casco dos barcos, a arte da pesca, entre outras.

Estas histórias de vida foram “resgatadas” do baú das memórias de vários Avieiros/as e não há ninguém melhor do que as comunidades e do que os grupos para reconhecer o seu próprio património e participarem activamente na sua inventariação, salvaguarda e gestão.

A natureza intangível do património Avieiro incrementa a sua vulnerabilidade, tornando-se urgente evitar mais perdas. A salvaguarda deste património mediante gravações, registos e arquivos é uma das formas de evitar as perdas, mas, também a forma de garantir aos portadores deste património que a sua transmissão para as gerações seguintes é uma realidade.

Com este propósito, foi preciso identificar os ditos portadores e transmissores da memória cultural oral da comunidade Avieira, reconhecê-los oficialmente e, para tal, propôs-se o reconhecimento, destes homens e mulheres, como “Porta-vozes da memória Avieira”.

Este título, apenas tem sido atribuído outorgando um reconhecimento especial a quem domina completamente essas aptidões e técnicas.

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 Avieiro sem alcunha não é Avieiro

Para depois falarmos destes homens e mulheres vamos começar por dar uma explicação para o facto de praticamente todos serem conhecidos por alguma alcunha.

É comumente sabido que em muitas regiões e povoações existem alcunhas pelas quais são conhecidas e identificadas algumas pessoas, mas talvez não haja região onde tal facto tenha tanta usança como nos habitantes das zonas ribeirinhas taganas.

Sendo a alcunha uma das formas de referência por “etiquetagem”, dos membros de uma comunidade, ela tem cabimento sobretudo em espaços geográficos e demograficamente limitados de modo a permitir o seu reconhecimento dentro da comunidade. O uso generalizado de alcunhas, só possível pela facilidade de memorização, mais do que um elementar substitutivo humorístico ou agressivo do nome ou da designação funcional dos atingidos resulta do carácter social da comunidade.

Uma das particularidades dos Avieiros/as é o facto de quase todos possuírem uma alcunha que lhes é “arranjada” em criança e que se mantém pela vida fora, ou que a vida se encarrega de lhes arranjar pelas vivências que vão enfrentando.

As alcunhas são marcas identitárias que a família Avieira ostenta com orgulho. É uma tradição que ninguém sabe explicar, mas todos têm um segundo nome pelo qual são conhecidos pelos outros Avieiros. Nas comunidades Avieiras, como em muitas praias de Portugal, as alcunhas são o verdadeiro nome dos pescadores, nasce-se com a alcunha do pai, da mãe, da família, da terra de nascimento ou de adopção, etc.

As alcunhas têm na sua génese, quase sempre, uma motivada particularidade seja de natureza sociocultural ou económica, seja devido a acontecimentos marcantes.

Na próxima Crónica falaremos de Manuel do Vau, “Porta-voz da memória Avieira”.

 



publicado por Noticias do Ribatejo às 08:00
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