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Domingo, 7 de Maio de 2017
ESTRAGAR CRIANÇAS

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Por: Marina Maltez

 

 

ESTRAGAR CRIANÇAS

 

“A actual educação estraga as crianças”

Eduardo Sá, 2012

Século XXI. Ano de 2017. Temos mais escolas. Temos diversos projectos educativos. Temos a tão desejada democratização cultural: finalmente a cultura, de forma geral, está cada vez mais ao alcance de todos. Uma visita ao Louvre está ao alcance de um clique. E os inúmeros PDF’s fazem com que o acto de ler não dependa apenas do factor económico. Além disso, as bibliotecas públicas bem como as escolares permitem a requisição de livros. Basta querer. Claro que numa criança esse querer depende de motivação, de incentivo por parte dos diferentes agentes educativos. E aqui começa a batalha naval!

Os pais culpam os professores acusando-os de não motivar os alunos, de não saber explicar a matéria, de estar por exemplo contrariado com a colocação e por isso revelar uma postura rígida para com as crianças. A escola culpa os pais. A educação deve vir de casa e o discurso das crianças parece reproduzir conversas de adultos, porventura ocorridas em casa e depois reproduzidas em sala de aula. Por norma terminam com faltas ou algum processo disciplinar por falta de respeito para com o professor.

E já diz o ditado popular: “Em casa em que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. Sim, temos professores que provavelmente já deveriam estar na reforma, dando lugar a profissionais mais jovens e portanto dotados de ferramentas mais actualizadas. Também temos professores (e atenção, não se trata aqui de uma regra generalizada) desmotivados que nem sempre aplicam estratégias pedagógicas de acordo com as reais necessidades dos alunos.

É também verdade que temos pais completamente desligados da educação dos filhos, à espera que a escola cumpra esse papel. Pais que questionam o trabalho dos docentes mas jamais se interrogam sobre as razões do comportamento dos educandos e até mesmo sobre o seu papel como pais.

Afinal, como são educadas as crianças de hoje? Por norma, andam ao sabor da moda ditada pelas tendências virtuais. Hoje não comunicam verbalmente com os colegas, mandam SMS ou ficam horas a fio ligados a um qualquer canal a “teclar” de forma compulsiva. Olhamos para os nossos filhos e ficamos abismados com a capacidade e velocidade com que trabalham com os telefones, dominam na perfeição a Informática, registam-se facilmente mesmo quando só o poderiam fazer sendo adultos.

O conhecido especialista Eduardo Sá é categórico em afirmar que a educação que temos estraga a criança. A criança chora que não quer comer sopa. Os pais cansados de um longo dia de trabalho “vergam” à birra prolongada e adeus sopa. A criança quer ver as 3 ou 4 novelas que passam diariamente. Os pais mandam para a cama, mas basta a criança dizer “Assim nunca estamos tempo juntos” e lá se faz a vontade, mesmo que no outro dia se vá para a escola meio a dormir e não se tenha rendimento. A criança pede uns ténis novos exorbitantemente caros. “Não” dizem os pais. “Mas todos os meus amigos têm” e os pais cedem para não haver exclusão. E eis-nos num ciclo vicioso de “SIM” quando a personalidade da criança precisa de “NÃO” para no futuro saber lidar com as diversas adversidades da vida.

Passamos de uma educação demasiado rígida para uma demasiado liberal em que lá por casa são todos iguais. Errado. A criança precisa que os pais sejam pais e não os melhores amigos. Esses são os colegas da escola que saltam e pulam e brincam. Aos pais compete educar. Recentemente todos nos escandalizamos com um jogo (ridículo e disparatado) que já levou crianças e jovens à morte. Mas ainda assim, nós, agentes educativos, parecemos não aprender com os nossos erros. Sim, nossos. Jogos existem aos milhares. E sim, é impossível controlar todos os minutos das nossas crianças e jovens. Mas é possível e urgente fazer uma educação assente em princípios que não o consumismo desenfreado, a agressividade como resposta ao fracasso.

 

1 Mas a responsabilidade não é, de todo, apenas dos mesmos. As Direcções devem estar atentas e até o próprio Ministério da Educação não se pode assumir como mero órgão de legislação, mas acima de tudo como entidade flexível, criativa e inovadora.

 



publicado por Noticias do Ribatejo às 07:40
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