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Quando regressarem às aulas em janeiro, alunos e Professores da Escola EB 2/3 Professor João Fernandes Pratas, em Samora Correia, vão encontrar um recreio despido de árvores e sem sombras.
Mais de uma dúzia de árvores de várias espécies estão a ser abatidas alegadamente porque foi detectada a lagarta do pinheiro, também identificada como processionária (Thaumetopoea pityocampa Schiff) . Trata-se de um insecto perigoso para a saúde das pessoas e animais.
Mas existem soluções para o combater com a destruição dos ninhos, queimando-os e a aplicação de insecticidas.
Este tratamento poderia ser feito durante o período de férias escolares mitigando os riscos para a comunidade escolar.
Acresce que a maioria das árvores abatidas é de espécie diferente do pinheiro.
As saudosas árvores foram plantadas por antigos alunos em datas especiais como o Dia da Árvore, Dia do Ambiente e Dia Mundial da Criança.
Para além do valor ambiental representam um valor simbólico e afectivo e transmitem um sentimento de pertença.
Estas árvores fazem parte de um património imaterial desta comunidade.
Nos últimos 20 anos passaram pela escola mais de 5000 famílias.
Estamos certos de que a Direção do Agrupamento decidiu abater as árvores, alegadamente por razões de segurança, com a melhor das intenções.
Contudo, temos dúvidas de que tenha sido uma decisão acertada.
Vários cidadãos, incluindo antigos alunos e professores, têm manifestado o seu desagrado pela solução radical que foi encontrada.
Como cidadão e autarca na Assembleia de Freguesia de Samora Correia, questiono se existiu um estudo prévio que levasse a concluir que a solução seria eliminar todas as árvores.
Saliento que em situações semelhantes, foi possível salvar as árvores e erradicar a praga de lagartas.
Noutros concelhos da região, o combate à lagarta do pinheiro está a ser feito com tratamentos que permitem salvar as árvores e garantir a segurança das pessoas que possam estar em contacto com elas.
Quando temos um doente com patologia contagiosa, não matamos toda a família. Isolamos e tratamos o doente mantendo a prevenção nos restantes indivíduos da comunidade. Porque razão com as árvores teremos de ter este tipo de actuação?
É fundamental a segurança dos alunos, professores e funcionários mas também é responsabilidade de todos salvaguardar a existência de fontes de oxigénio e de sombra, imprescindíveis num espaço de recreio numa escola com mais de quatro centenas de utentes, entre alunos, professores, funcionários e encarregados de educação.
Todos lamentamos as alterações do clima, a seca extrema, o excesso de calor mas poucos são os que fazem alguma coisa para inverter esta tendência.
A sociedade tem uma compromisso com o planeta e é na escola que tudo começa. Razão reforçada para que estes processos mereçam uma atenção cuidada e apurada antes da tomada da decisão mais fácil, mas certamente longe de ser a mais adequada em nome do ambiente, da qualidade de vida e das memórias de um espaço nobre como é qualquer escola.
Sabemos que serão plantadas novas árvores. Mas por mais acelerado que seja o seu crescimento não haverá milagre que possa garantir a sombra nos próximos anos.
Qualquer outra solução com pergolas em madeira ou outras coberturas pode ser esteticamente agradável mas não será certamente a solução mais adequada.
Em Samora Correia ainda temos árvores que sobreviveram a vários sismos e tempestades mas estas não sobreviveram.
Exigimos saber porque razão...