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Terça-feira, 13 de Novembro de 2018
MUSEU RURAL E DO VINHO CELEBRA ANIVERSÁRIO

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ANA COIMBRA EXPÕE PERSPECTIVAS – MINIATURAS E CASAS DE BONECAS

São 33 anos ao serviço da cultura, da promoção das tradições e da preservação do saber. O Museu Rural e do Vinho está de parabéns e preparou uma exposição única para convidar o público a fazer a festa.

 

 

O espaço museológico que é a porta de entrada para quem quer conhecer a tradição vitivinícola do concelho e a vivência rural do território, convidou Ana Coimbra a mostrar as suas miniaturas – são pequenas peças que obrigam o visitante a, literalmente, aproximar o olhar da vida vivida dentro de casa. A recompensa para esta aproximação, é descobrir um mundo de pequeninos objetos e peças de mobiliário que adivinham gente, risos e tragédias, refeições partilhadas, intimidade ou tradições sociais e culturais.

 

Casinhas e objetos pequeninos obrigam a mudar a perspetiva do olhar

Ana Coimbra, natural de Loures e residente há cerca de 20 anos no Cartaxo, começou a construir casinhas de bonecas para brincar com a filha, a brincadeira apanhou-a e nunca mais a deixou parar. A artista reproduz espaços que têm tanto de pequeno na dimensão, quanto de imenso nas possibilidades que abrem à imaginação de quem os observa.

 

A obra de Ana Coimbra celebra o onírico através do que mostra de real, da poesia dos espaços íntimos, da família – onde se ouvem crianças, se afagam animais de estimação –, mas também é testemunho da história, das tradições enraizadas na vida do dia a dia, da hierarquia social e de género.

 

O rigor que Ana Coimbra coloca nos objetos e nas peças de mobiliário, a par do pormenor na disposição de pratos em armários, dos jornais abandonados sobre mesas antigas, do fumo que já enegreceu as paredes da lareira, são testemunhos do tempo que passa, das vidas vividas por pessoas que quase se podem ouvir falar, ou rir, ao fundo das divisões.

 

Há cadeirões de madeira antiga, ostensivos, que nos lembram reis a descansar – talvez chegados de uma caçada na Lezíria. Há espaços que se percebem acolhedores, quentes. Há abóboras espalhas pelo chão, trazidas da horta que cresce ao fundo de um quintal que só se adivinha, há fogões antigos e compotas de outono à espera das noites frias, em família, junto à lareira. Se se observar com muita atenção, e o coração aberto, talvez se ouçam as histórias, talvez se sinta o cheiro que sai das panelas postas ao lume pela avó.

 

Não perca esta exposição, seja qual for a idade, os visitantes vão sentir-se como gigantes num mundo encantado, um mundo que encerra tantas surpresas quanto recordações.

 

 

MUNICÍPIO DO CARTAXO CELEBROU CARTAXENSES QUE COMBATERAM NA FLANDRES

  • Resgatar a memória dos que combateram na I Guerra Mundial, ao resgatar para a história os cartaxenses que integraram o Corpo Expedicionário Português na Flandes, foi a vontade partilhada por Município, historiadoras e comunidade cartaxense. Desta vontade, nasceu um trabalho de investigação que resultou na publicação de um livro e na organização de uma exposição de objetos pessoais e oficiais, que são testemunho da vida e dos feitos de quase duas centenas de homens, naturais ou residentes no Cartaxo.
  • No dia em que se assinalaram os 100 Anos do Armistício da I Guerra Mundial, o Município promoveu uma homenagem a todos os ex-combatentes e apresentou o resultado do trabalho das duas autoras – com a apresentação pública do livro e a inauguração de uma exposição que íntegra objetos e documentos recolhidos ao longo da investigação.
  • A viagem em condições precárias a partir do cais de Alcântara, a vida suspensa nas trincheiras, o frio e a lama dos campos pantanosos, as cozinhas improvisadas, o inimigo a escassas centenas de metros, lêem-se no livro e percebem-se nos objetos expostos, mas também a coragem e o valor militar ganha forma nas condecorações expostas e os soldados ganham nome próprio, na investigação das autoras.

 

Foram muitos os ex-combatentes, autarcas, representantes de forças de segurança do concelho e familiares de cartaxenses que combateram na Flandres, que começaram a tarde chuvosa e fria do último domingo, numa cerimónia que decorreu no Salão Nobre do Município do Cartaxo, passados exatamente 100 anos do armistício que poria fim à I Guerra Mundial – armistício que teve efeitos às 11 horas, do dia 11, do mês 11 de 1918.

 

Pedro Magalhães Ribeiro, presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, que recebeu “ao lado do presidente da Assembleia Municipal e de presidentes de todas as nossas freguesias, do vice-presidente da Câmara Municipal, Fernando Amorim e dos vereadores Pedro Nobre e Elvira Tristão”, aqueles que “são combatentes para a vida inteira”, referindo-se à presença de muitos ex-combatentes, entre os quais destacou a presença do Presidente do Núcleo de Santarém da Liga dos Combatentes, Sargento-Chefe Carlos Pombo, assim como, os paraquedistas do Concelho do Cartaxo, ou os antigos combatentes da Guerra do Ultramar, que marcaram presença nas Comemorações.

 

Para o autarca, “no dia em que o mundo celebra a paz alcançada, é uma honra estar convosco e cumprirmos juntos o compromisso que assumi desde que fui eleito presidente de Câmara – o de manter vivo o exemplo de dedicação à nossa pátria, de todos os combatentes. Hoje, estamos juntos na especial homenagem aos homens, quase duas centenas de cartaxenses, que lutaram nas trincheiras e nos campos da Flandres e deixamos o nosso humilde contributo para que os seus feitos sejam resgatados do esquecimento e devolvidos à luz do presente, através do conhecimento e da investigação histórica”.

 

O presidente da Câmara destacou o “imenso trabalho” de Ana Carina Azevedo e de Maria Manuel Simão “cuja investigação cumpre, desde logo, dois desígnios de enorme valor”, por um lado, “fazer justiça a quem partiu do Cartaxo em nome da Pátria e foi atirado para um cenário de conflito, em condições dificílimas e aí se mostrou capaz de atos de bravura, de superação e de sacrifício, em nome de Portugal, honrando a nossa Bandeira”. As autoras “devolveram os nomes próprios destes homens e das suas famílias, à história local e nacional”, e por outro lado, “de nos permitir refletir sobre a coragem necessária para a conquista da paz e da liberdade, sobre o caminho que percorremos e sobre as ameaças atuais ao projeto europeu, que foi fundado como um projeto de paz e onde, hoje, vemos nascer e ganhar força, projetos políticos nacionalistas, extremistas, marcados pela intolerância”.

 

Na cerimónia de homenagem que antecedeu a deposição de uma coroa de flores junto ao Monumento aos Combatentes, esteve também presente o Presidente do Núcleo de Santarém da Liga dos Combatentes, Sargento-Chefe Carlos Pombo, para quem “assinalar o centenário da I Grande Guerra e lembrar aqueles que se bateram naquele grande conflito mundial, é o momento certo para evocar a paz”, explicando que “a Liga dos Combatentes, desde a sua fundação, se preocupa com a prática da solidariedade e o apoio mútuo que garanta aos combatentes e às suas famílias, a merecida paz real”, explicando que esta só é possível “se houver dignidade, segurança e qualidade de vida”.

 

Para o Sargento-Chefe Carlos Pombo, a homenagem organizada pelo Município do Cartaxo, cumpre um dos propósitos da Liga – o de “promover a história e a conservação das memórias”, lembrando que o acordo final foi assinado em 1919 e que “infelizmente a Paz apenas duraria 20 anos, já que a Europa voltaria a estar em guerra em 1939”.

 

Investigação lança luz sobre os cartaxenses nas trincheiras da Flandres

Ana Carina Azevedo e Maria Manuel Simão investigaram e a Câmara Municipal do Cartaxo editou o livro que quer “tirar do esquecimento e homenagear quer aqueles que não regressaram, quer os que tendo regressado, são hoje praticamente desconhecidos na terra onde nasceram, ou que adotaram como sua”, referem as autoras nas primeiras páginas de Nas Trincheiras da Flandres. Os cartaxenses do Corpo Expedicionário Português 1917-1919.

 

O livro foi apresentado na Biblioteca Municipal Marcelino Mesquita pelo Tenente Coronel Fernando Rita, investigador e conhecedor profundo do Corpo Expedicionário Português, que descreveu quer a estrutura, quer a importância para a história local e nacional do trabalho das duas autoras. Para Fernando Rita, a “descrição da forma como foi feita o deslocamento das tropas desde o cais de Alcântara até à Flandres”, ou a preocupação das autoras “em fazer o retrato social destes 191 homens”, a par do enquadramento internacional, traz ao livro uma abrangência e importância que ultrapassam o seu valor para a história local, também este “inegável e de grande relevância”.

 

As autoras reforçaram o objetivo de o livro se constituir como um contributo para “resgatar do esquecimento, da escuridão, por mera justiça, os 191 cartaxenses que um dia saíram do cais de Alcântara, rumo a França e que permaneceram, durante quase dois anos, no cenário de guerra. E deste, a maior parte do tempo, nas trincheiras”, conforme referiu Maria Manuel Simão.

 

Ana Carina Azevedo destacou a importância de o livro ser considerado “um primeiro impulso para uma investigação mais profunda. O que se pretendeu foi redescobrir os nomes e os percursos destes 191 homens, que permaneciam na neblina, acompanhar o seu percurso desde o embarque em Lisboa, até ao seu regresso, ou morte durante a Guerra”.

 

Quer o livro, quer a exposição – que estará patente ao público até ao próximo dia 30 de novembro –, mostram objetos pessoais, como correspondência com familiares, cadernetas militares, condecorações recebidas, ou esquemas das trincheiras desenhados à mão por um dos combatentes.

 

Ana Carina Azevedo, referiu “duas questões se nos colocaram”, uma delas, foi incluir o capítulo do livro que “embora pequeno, dá conta dos que morreram durante a guerra, as causas da morte, onde foram sepultados num primeiro momento, e onde estão hoje sepultados. Foi algo que quisemos dar às famílias”, e outra, “o querermos deixar nota da importância dos objetos que as famílias nos cederam. Estes objetos encerram muito mais do que a sua importância afetiva”, muitos são essenciais à investigação e têm importância para outras investigações em curso no país.

 



publicado por Noticias do Ribatejo às 16:56
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