
Por: Marina Maltez
“Educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos”.
Pitágoras
Quando falamos de Educação hoje em dia tendemos a confundir esse conceito com o de Formação. Isso implica a consequente confusão os papéis a desempenhar por pais/família bem como professores/escola.
Já houve um tempo em que era cliché dizer-se que as crianças são o melhor do mundo. E não digo que não continuem a ser, mas a verdade é que, e que tal como dizia o poeta “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” e hoje quando falamos em crianças seja diante de pais seja com educadores/professores deparamo-nos com um vasto leque de problemáticas que envolvem aqueles que serão os adultos de amanhã.
E por muito que me digam que a violência na escola sempre existiu, que as crianças sempre brigaram entre si e que sempre houve alunos com insucesso escolar, as estatísticas são como o algodão: não mentem. Uma coisa é uma briga normal entre crianças. Um esfolar de joelho após um empurrão. E continua a ser incorrecto. Mas hoje, lamentavelmente, há a premeditação e volta e meia lá ficamos chocados com um aluno que feriu ou matou outro com uma arma trazida de casa e isso, creio eu que implica premeditação. O mesmo acontece com os vídeos de espancamento publicados nas redes sociais. Reparemos: a criança ou jovem que filmou limitou-se a registar o momento de violência. Não o deteve. Nada fez para auxiliar a vítima. Filmou apenas. Para que a porrada, caso não fosse suficiente, tivesse ainda o aconchego da humilhação, do gozo que fica e aumenta consoante dispara o número de visualizações.
Educar e formar são essenciais para que as crianças de hoje recuperem valores e possam formar a sua personalidade, o seu carácter, baseados em exemplos, em experiências salutares e não sentados diante de um ecrã a seguir religiosamente um qualquer youtuber que se enche de dinheiro à custa da estupidificação infantil e juvenil.
Não, aqui não se pode ser politicamente correcto. Há que colocar o dedo na ferida.

Eu sou do tempo em que os pais eram autoridade e exemplo a seguir. Não há muito tempo fervi (sim que uma típica ribatejana não gela, ferve-lhe o sangue na guerla) quando um filho de apenas 12 anos durante uma refeição manda calar o pai. E o que mais me inquietou nem foram as palavras, foi o tom de autoridade, de arrogância e o olhar consternado do pai que porventura para evitar uma birra pública acatou a ordem dada pelo catraio! Caldo entornado por completo e adeus ao respeito!
Juntemos a isto a ideia peregrina do actual governo em permitir que alunos transitem de ano com 4 negativas num claro, explícito e apelativo convite: criança/jovem deixa andar que essa é a mudança única deste país de marasmo! E há pais que aplaudem de pé estas medidas porque assim os filhos não ficam retidos. Talvez não na escola. Mas claramente no desenvolvimento cognitivo, emocional, na sua capacidade de auto-responsabilização, no seu auto-conhecimento, em valores como o empenho, a dedicação, a persistência e isso terá um preço elevado num futuro que está desde já comprometido.
Que medidas tomar? Creio que as bases têm mesmo que partir do seio familiar porque na escola transmitem-se conteúdos. Os bons modos (que estão em vias de extinção) devem vir efectivamente de casa.
E se não quisermos ter demasiadas mães adolescentes, programas em horário nobre dignos da capa da Playboy, nem idosos abandonados às portas de um qualquer hospital ou encontrados já sem vida nas suas residências após o abandono há mesmo que desligar algumas fichas, pegar num caderno, num lápis e começar tudo de novo.
É que a educação é uma arma poderosíssima!