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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009
Sónia Sanfona:O PS não deve fazer coligações pós-eleitorais

 

 
Sónia Sanfona ficou conhecida do País depois de ter assinado o famigerado relatório final da Comissão de Inquérito ao BPN. Assume-se uma alpiarcense convicta e, depois de quatro anos e meio no Parlamento, aceita o desafio de candidatar-se à presidência da sua vila natal: "O turismo é o aspecto mais diferente e inovador no meu programa eleitoral".

Sónia Sanfona, Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS e Candidata à Câmara de Alpiarça. Sónia Sanfona ficou conhecida do País depois de ter assinado o famigerado relatório final da Comissão de Inquérito ao BPN. Assume-se uma alpiarcense convicta e, depois de quatro anos e meio no Parlamento, aceita o desafio de candidatar-se à presidência da sua vila natal: "O turismo é o aspecto mais diferente e inovador no meu programa eleitoral". Sobre as legislativas e a governabilidade, avança que o PS deve Governar sozinho e procurar acordos pontuais com as várias forças políticas.
 
O que é que a motiva no desafio autárquico?
 
Comecei a minha intervenção na política como membro de uma Assembleia Municipal, uma experiência muito interessante e que, pessoalmente, acho que contribuiu para eu desenvolver o sentimento de servir os nossos concidadãos. A mim compensa-me pensar que posso fazer alguma coisa pelos outros - o que, francamente, não sei se é um sentimento egoísta. O desafio autárquico é, fundamentalmente, um apelo das nossas raízes. Ao longo deste tempo não deixei de viver na terra onde nasci, tenho dois filhos que vão lá à escola, a minha família é toda de lá... Partilho muito dos problemas e das vantagens de se viver num concelho como o meu e ser-se alpiarcense.
 
A Câmara Municipal tem sido gerida nos últimos anos pelo PS. O que é que faltou concretizar?
 
Quem conhecia e conhece Alpiarça há doze anos a esta parte - o período de tempo em que o PS está à frente dos destinos do concelho - pode muito facilmente apreciar as diferenças, quer na gestão quer no rosto, da vila. Alpiarça tem hoje um conjunto de equipamentos sociais, culturais, cívicos que não tinha. Melhorou a rede viária, as infra-estruturas básicas, criou uma zona industrial. Desenvolveu-se, progrediu e modernizou. Mas é claro que há sempre qualquer coisa para fazer.
 
Pode dar alguns exemplos?
 
Algumas coisas não foram feitas por manifesta impossibilidade de as conseguir, porque Alpiarça é um concelho pequeno e tem limitações do ponto de vista da capacidade de investimento e de concretização. É preciso melhorar substancialmente a forma como se administra e gere - e profissionalizar essa gestão - a casa museu José Relvas, colocando-a no centro daquilo que quero que seja um programa de desenvolvimento turístico sustentado. Alpiarça tem condições únicas: uma barragem com um valor natural muito específico e de grande qualidade, um pólo desportivo interessante, uma zona ribeirinha que não está aproveitada, uma vala real que precisa de ser despoluída...
 
O turismo é a sua grande aposta para o município?
 
O turismo é o aspecto mais diferente e inovador no meu programa eleitoral. Há um conjunto de outras medidas, ideias e projectos que, também sendo novos, não têm esta dimensão. Há medidas de apoio aos empresários, especificamente aos agricultores, apoio ao pequeno comércio... Um conjunto de iniciativas e de ajudas que a autarquia pode desenvolver para a fixação das empresas e do comércio ou na colaboração com os agricultores.
 
Acredita que a notoriedade que conseguiu alcançar como deputada, designadamente devido à comissão parlamentar sobre o caso BPN, a poderá beneficiar eleitoralmente?
 
Muito francamente acho que não. Para mim foi fundamental o percurso todo que fiz até chegar à comissão de inquérito do BPN, o culminar de quatro anos e meio de trabalho que desenvolvi no Parlamento. De facto, publicamente, o relatório que fiz tornou-me conhecida, de uma forma mais genérica, no País. Mas isso não resulta em meu benefício ou prejuízo. No meu concelho as pessoas conhecem-me desde que eu nasci, conhecem a minha família, fizeram parte do meu percurso escolar, conhecem-me profissionalmente porque exerci advocacia durante nove anos em Alpiarça...
 
Tem algum mal os assessores de Belém participarem na elaboração de um programa político de um partido?
 
A Presidência da República deve ser um órgão equidistante, imparcial e independente. A partir do momento em que é eleito, o Presidente da República deve ser o Presidente de todos os portugueses. Tenho alguma dificuldade em perceber por que razão os seus assessores, pessoas da sua confiança e que trabalham consigo e o aconselham, não se protegem deste tipo de intervenção. Muito sinceramente, não estou preocupada com a contribuição que os assessores do Presidente deram para o programa do PSD. Mas do ponto de vista da imagem externa transparece uma ideia que não é positiva, no sentido em que a independência e a equidistância deve ser assegurada.
 
Essa ideia poderá ser propositada. Isto é, a Presidência querer fragilizar Sócrates para beneficiar Ferreira Leite?
 
Pode. Mas também pode ser uma espécie de aproveitamento por parte do PSD para publicitar a participação de assessores do Presidente na elaboração do programa do PSD e demonstrar aos portugueses que o Presidente estará em consonância com aquilo que o partido irá apresentar. Quem mais fragilizado sai deste processo é o Presidente, que deveria manter a sua preocupação de equidistância.
 
Cavaco Silva já devia ter vindo a público afastar-se destas acusações, até sobre espionagem em Belém?
 
O público em geral está a dar uma importância a este assunto que ele não tem. Provavelmente o Presidente pensará a mesma coisa. Se o Presidente tivesse tido algum indício ou sensação de que podia estar em causa a sua privacidade ou a do seu gabinete, teria agido em conformidade. A Procuradoria-geral da República existe exactamente para isto.
 
Que avaliação política faz das relações entre Belém e S. Bento?
 
Não acho que as relações entre a Presidência e o Governo sejam más, de todo. Mas eu sou um agente externo, estou a falar da forma como que vejo. Os vetos presidenciais estão previstos na Constituição e representam o exercício de um poder legítimo do Presidente. A análise que faço é que nalguns casos os vetos fundaram-se em razões objectivas, sobretudo dúvidas de constitucionalidade; e noutros por opções pessoais de formação do Presidente, que é uma pessoa mais conservadora. Nesse sentido, compreendo melhor alguns vetos do que outros.
 
Gostaria de ver Manuel Alegre como Presidente da República?
 
O Partido Socialista deve ter um candidato presidencial. O partido tem no seu seio e na comunidade que não sendo militante se encontra no seu espectro político um conjunto de personalidades e figuras que podem perfeitamente desempenhar o cargo de Presidente da República com elevação. Entre essas figuras vejo Manuel Alegre.
 
Como o mais destacado?
 
Na minha análise, o Governo do PS, nos últimos quatro anos e meio, teria tido alguma dificuldade no relacionamento com a Presidência da República se Manuel Alegre fosse Presidente.
 
Mais do que teve com Cavaco Silva?
 
Não sei... Teria tido alguma dificuldade porque isso foi visível ao longo do mandato. Houve um conjunto de propostas legislativas que claramente não teriam tido acolhimento na Presidência da República e tiveram. Provavelmente haveria outras que teriam acolhimento e com o actual Presidente não tiveram. Vejo alguma distância, não do ponto de vista ideológico porque o PS é só um, há um posicionamento muito diferente entre aquilo que tem sido a linha do Governo e a posição de Manuel Alegre. Não lhe estou a dizer que é completamente incompatível que o Manuel Alegre seja Presidente com um Governo do eng. Sócrates, é possível.
 
Pessoalmente preferiria alguém com um perfil mais semelhante ao de José Sócrates?
 
Eventualmente haverá alguns outros putativos candidatos a PR que possam ser, do ponto de vista do pensamento político, mais próximos do eng. José Sócrates. Estamos num exercício especulativo. O que acho é que o PS deve ter um candidato presidencial...
 
Não se perspectiva que nenhum partido tenha uma maioria absoluta; o bloco central é afastado pelo PS e pelo PSD, os partidos mais pequenos recusam-se a coligar e apoiar os partidos maiores, talvez com excepção ao CDS.
 
Como é que a governabilidade é assegurada neste cenário?
 
Não acho que o Partido Socialista deva fazer coligações pós-eleitorais. Não o fez nesta fase pré-eleitoral e julgo que não o fará depois das eleições. Estou convencida que o PS vai ganhar as eleições legislativas. É provável que não saia destas eleições com maioria absoluta, mas acho que essa também é uma escolha que os portugueses têm que fazer, porque se há quem anuncie com grande veemência que as maiorias absolutas fazem diminuir a participação democrática - ideia com a qual eu não concordo -, a verdade é que as maiorias absolutas permitem uma estabilidade governativa que a maioria relativa não garante. O PS deve procurar entendimentos, em cada área, com a força política que mais se aproxime daquilo que é o seu programa, daquilo que são as suas opções políticas.
 
Não seria melhor um Governo estável apoiado por uma maioria estável?
 
Seria melhor um governo estável com uma maioria absoluta do PS. Sempre que o PCP e o Bloco se identifiquem com as propostas do Partido Socialista e as queiram viabilizar, são perfeitamente bem-vindos. Não concordo, por exemplo, com a proposta feita pelo Engenheiro Ferro Rodrigues relativamente às coligações, convidar o PCP ou o Bloco para o Governo...
 
Ferro Rodrigues também fala no PSD, no Bloco Central.
 
A questão do PSD parece-me que está posta de parte à partida, porque quer a dra. Manuela Ferreira Leite quer o próprio eng. Sócrates puseram de parte essa possibilidade.
 
Mas quem perder vai-se embora... Isto é, se o PS perder, talvez o Ferro Rodrigues seja um possível líder.Não me parece. O caminho do País é no sentido do futuro, da inovação e o caminho do Partido Socialista é rigorosamente o mesmo. Não me parece nada que tenhamos de voltar atrás, sem com isto querer dizer o que quer que seja relativamente ao eng. Ferro Rodrigues, que é uma pessoa que estimo e que aprecio bastante. Mas, na minha opinião, o futuro do PS não passa por aí. O Partido Socialista é um partido moderno, de uma esquerda democrática avançada.
 
Voltando ao Bloco Central...
 
Eventualmente o País necessitava desse entendimento, o que eu acho é que será muito difícil com uma líder do PSD como Manuela Ferreira Leite. Acho que a dra. Manuela Ferreira Leite começou muito mal a pré-campanha legislativa, com uma proposta de destruição total de tudo o que o Partido Socialista fez. A dra. Manuela Ferreira Leite propõe que aquilo que se fez que se apague, que se destrua, que se rasgue e que, portanto, se comece do zero. O PSD voltou a trazer um discurso de profundo desânimo a Portugal. Nós temos tido um Partido Socialista e um Governo que procura puxar o país para cima, diz às pessoas que não podemos desanimar, que não é altura de baixar os braços, que é preciso lutar pelas coisas, que é preciso estarmos convencidos de que somos capazes de fazer, somos capazes de mudar, vamos ultrapassar a crise. Depois, tempos um PSD a puxar-nos sistematicamente para baixo.
 
O papel da oposição não é fazer oposição às medidas do Governo?
 
O papel da oposição deve ser construtivo. O papel da oposição é dizer "nós não concordamos com isto e, em alternativa, a solução é esta". Este é o papel de uma oposição responsável. Não é o papel de crítica destrutiva, sistemática, inconsistente, sem qualquer tipo de proposta alternativa. Porque é assim que tem funcionado o PSD ao longo deste tempo. É o vazio das ideias, é o vazio das propostas. As pessoas vêem e sentem isto, até porque a dra. Manuela Ferreira Leite não aparece agora aos portugueses, já cá anda há algum tempo, tem um passado, tem uma história. Por isso, neste quadro, é difícil encontrar aqui o equilíbrio necessário para que os dois maiores partidos se entendam e possam governar em conjunto.
 
Uma das acusações que Manuela Ferreira Leite faz é de claustrofobia democrática. Que comentários faz?
 
Acho espantoso como é que a dra. Manuela Ferreira Leite, depois do processo de constituição das listas para estas eleições legislativas, tenha a coragem de dizer aos portugueses que o País vive um clima de claustrofobia democrática. Nunca tinha visto uma manobra tão desleal como aquela que foi feita pela direcção do PSD relativamente aos seus principais adversários internos, que com ela disputaram a liderança do partido.
Ferreira Leite fundamenta que precisa de ter um grupo parlamentar leal, que acredite plenamente no seu projecto político.É preciso ter um grupo leal e é preciso ter diversidade, porque a diversidade também é qualidade. Relembro que o eng. José Sócrates também teve um opositor na luta interna pela liderança do partido e que esse opositor foi membro do Grupo Parlamentar durante estes quatro anos e meio. Ninguém tem dúvidas que Manuel Alegre exerceu o seu mandato rigorosamente como quis exercê-lo. E a sua voz dissonante não foi sempre negativa, ao contrário daquilo que as pessoas às vezes querem fazer passar. O debate interno e a dissonância que às vezes existe entre opções é saudável do ponto de vista democrático. A dra. Manuela Ferreira Leite não percebeu uma coisa fundamental: o dr. Passos Coelho não foi eleito líder do PSD, mas teve uma rotação expressiva no seu partido e representa, de facto, uma parte significativa do que é o PSD. Isto revela o receio do afrontamento ou da possível sombra que, eventualmente, o dr. Passos Coelho podia fazer à dra. Manuela Ferreira Leite. O País caminha para o futuro e os partidos políticos também caminham e hoje a dra. Manuela Ferreira Leite já é passado e o dr. Passos Coelho pode ser futuro.
 
« Semanário»


publicado por Noticias do Ribatejo às 16:32
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