A medida governamental define que a nova ULS abrange o Hospital Amato Lusitano e os centros de saúde de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Penamacor, Vila Velha de Ródão, Oleiros, Proença-a-Nova, Sertã, Vila de Rei (todos no distrito de Castelo Branco) e Mação (no distrito de Santarém).
Em declarações à agência Lusa, os autarcas consideram a medida “prejudicial dos interesses do povo, em razão da proximidade geográfica e dos ciclos normais de circulação de acesso à saúde através dos Centros de Saúde de Vila de Rei e Mação e do Centro Hospitalar do Médio Tejo (hospitais de Abrantes, Tomar e Torres Novas), locais de acesso facilitado pela A23 e A1.
“Discordamos e repudiamos esta medida em absoluto, uma vez que todos os vilarregenses têm actualmente acesso à saúde através do Centro de Saúde de Vila de Rei e dos hospitais do centro Hospitalar do Médio Tejo, muito mais próximos do nosso concelho”, afirmou Ricardo Aires, vice-presidente da Câmara de Vila de Rei (PSD).
Os responsáveis das Câmaras de Mação e Vila de Rei consideram “lesiva e prejudicial” aos interesses dos seus munícipes a integração dos respectivos centros de saúde na Unidade Local de Saúde (ULS) de Castelo Branco, medida que hoje entrou em vigor.
Segundo acrescentou, “os quilómetros, cerca de 110, que distanciam Vila de Rei da sua sede de distrito são uma das principais causas desta revolta”.
“Tendo aqui ao lado Abrantes a 25 quilómetros, Tomar a 30 e Torres Novas a 40”, evitava-se igualmente “perdas de tempo para consultas ou cirurgias”, considerou ainda Ricardo Aires, afirmando ir “reclamar por um regime de excepção”.
Com a nova configuração territorial, o município de Mação deixou de estar agregado ao Médio Tejo (distrito de Santarém) e passou a integrar a sub-região do Pinhal Interior Sul (Castelo Branco), a par de Vila de Rei, uma medida “gravemente lesiva”, porquanto “implica que os utentes e familiares se desloquem para uma cidade dezenas de quilómetros mais distante e sem transportes públicos regulares”, alegam os responsáveis das referidas autarquias.
Os responsáveis da autarquia de Mação, por sua vez, afirmam “não entender os benefícios” da medida, que “repudiam” e contra a qual insistem em “lutar”.
Hospitais de Coimbra em vez de Lisboa
O vice-presidente da Câmara Municipal, Vasco Estrela (PSD), disse à Lusa que, com a entrada em vigor do diploma, o Governo criou condições para que os munícipes e utentes do concelho passem a ser atendidos no Hospital de Castelo Branco, “em detrimento” do Centro Hospitalar do Médio Tejo”.
Ao mesmo tempo, a integração na ULS de Castelo Branco “drena os doentes para o Centro Hospitalar de Coimbra, como ponto de referenciação terciário, e não para os Hospitais de Lisboa”, o que também não agrada ao autarca.
“Esta decisão é gravemente lesiva dos interesses do povo deste concelho, porque implica que os utentes e familiares se desloquem para uma cidade 50 quilómetros mais distante e sem transportes públicos regulares”, observou Vasco Estrela.
A Câmara de Mação, acrescentou o responsável, já escreveu ao Presidente da República, “alertando-o para esta injustiça social e territorial”.
A Câmara Municipal de Mação reunida em 09/09/2009 deliberou, por maioria, emitir um comunicado sobre a decisão do Governo, tomada em Reunião de Conselho de Ministros de 03/09/2009 de criar a Unidade Local de Saúde de Castelo Branco E.P.E., abrangendo o Hospital Amato Lusitano e os Centros de Saúde de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Penamacor, Vila Velha de Ródão, Oleiros, Proença-a-Nova, Sertã, Mação e Vila de Rei.
«1. A Câmara Municipal de Mação não teve conhecimento prévio desta decisão do Governo, que repudia e contra a qual vai lutar, por entender que é gravosamente prejudicial aos interesses dos Munícipes deste Concelho; 2. Com a decisão agora tomada, o Governo criou condições para que os Munícipes/Utentes deste Concelho passem a ser atendidos relativamente aos cuidados de saúde primários e hospitalares, leia-se, consultas, internamentos e cirurgias, no Hospital de Castelo Branco, em detrimento do Centro Hospitalar do Médio Tejo (Hospital de Abrantes, Tomar e Torres Novas), bem como o encaminhamento de doentes para o Centro Hospitalar de Coimbra, como ponto de referenciação terciário e não para os Hospitais de Lisboa; 3. Esta decisão é, no nosso entender, gravemente lesiva dos interesses do Povo deste Concelho de Mação, porque, a ser concretizada, implica que os utentes e familiares se desloquem para uma cidade mais distante do Concelho e sem transportes públicos regulares (Mação/Abrantes: 25 km; Mação/Castelo Branco: 75km); 4. A Câmara Municipal de Mação deliberou, ainda, escrever ao Senhor Presidente da República, alertando-o para esta injustiça social e territorial relativamente às pessoas deste Concelho, ao seu bem-estar e sensibilizando-o de forma a não promulgar este diploma; 5. Cremos que, desde 25 de Abril de 1974, nenhuma outra medida tão contrária e evidente ao espírito daquela data penalizará o nosso dia-a-dia, as nossas já difíceis vidas.
Entendemos ser nossa obrigação alertar a população para a delicadeza desta decisão que a todos afectará, solicitando o empenho de todos no sentido de evitar a sua concretização».