
Por: Antonieta Dias (*)
A Institucionalização do idoso
A possibilidade de um idoso dependente poder ser institucionalizado, veio colmatar uma preocupação há muito sentida por quem necessita de cuidados e sobretudo de cuidados diferenciados/especializados.
As instituições de longa duração que permitem o acolhimento de um idoso dependente, vieram facilitar e melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem sozinhas.
Sem dúvida que o objectivo fundamental não é apenas criar um alojamento condigno, mas sim apoiar e disponibilizar uma assistência global da pessoa dependente, desde longa data desejada mas nunca antes concretizada.
Porém, outros desafios se levantam e outros caminhos terão de ser planeados para dar cobertura a esta complexa realidade que se arrasta há muito tempo.
Ter a possibilidade de avaliar e identificar o grau de independência para a realização dos actos de vida diária (AVDs), é uma tarefa sublime que exige competência, sensibilidade e conhecimento detalhado sobre a capacidade de gestão e de decisão das pessoas com idades superiores a 60/65 anos.
Esta avaliação implica a utilização de instrumentos específicos que vão servir de filtro para fazer a seriação destas pessoas, e coloca-las nos locais mais adequados.
As escalas mais utilizadas para avaliação da capacidade funcional do idoso, incluem a utilização do índice de Katz, que pela sua aplicabilidade prática e confiabilidade, é das que mais beneficia para a identificação dos critérios que irão contribuir para a orientação das pessoas idosas que padecem de doenças crónicas, que obrigam a longos períodos de recuperação hospitalar e/ou na comunidade em geral.
Esta escala vai permitir atribuir diferentes graus de independência funcional para os actos da vida diárias (AVDs), de tal forma importantes que servirão de base de decisão para a boa escolha da instituição de acolhimento.
É do conhecimento comum que a população idosa tem um aumento absoluto e proporcional em todo o mundo, sendo que o declínio da capacidade funcional aumenta com o avançar da idade, passando o investimento social na criação de alojamentos devidamente equipados a ser uma prioridade, a nível mundial.
A percepção desta realidade, veio obrigar não só o poder estatal como a sociedade civil, a criar as condições para a institucionalização dos idosos dependentes e independentes que ficam incapazes de poderem permanecer das suas residências habituais e de se autocuidarem.
Nem sempre é fácil fazer a transferência de um idoso da sua casa para uma instituição que lhe é desconhecida e muitas vezes adversa, por maior que seja o potencial de equipamento disponível e sofisticado para minimizar as dificuldades de integração do idoso.
Mesmo que se estabeleça uma realidade pacífica, ficam sempre alguns danos que transformam a vida das pessoas institucionalizadas, devido às consequências que muitas vezes originam, como sejam as situações de despersonalização, de isolamento, de depressão, de falta de vontade de participação em eventos sociais e que nalguns casos conduzem muitas vezes a quadros de depressão.
Acresce ainda, que a institucionalização para além de poder gerar um declínio funcional, faz com que alguns idosos criem resistência para se integrarem nestes estabelecimentos.
Certo é, que apesar de ser considerada uma mais valia na resolução de problemas vivenciados por um enorme leque de famílias, os critérios de inclusão e sobretudo o poder de decisão por parte dos idosos nem sempre é bem sucedida.
Em suma, os dados apontam para a necessidade de encorajamento e de motivação do idoso, para uma melhor integração, passam pela criação de sentimentos de confiança no idoso de forma a que se sinta protegido e cuidado com carinho.
(*) Prof. Doutora na Faculdade de Medicina do Porto