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Domingo, 9 de Novembro de 2014
TEMAS DE SAÚDE: Automedicação e abuso de fármacos nos idosos

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Por: Antonieta Dias (*)

 

A polimedicação é designada como uma associação de medicamentos diferentes que o doente consome  em simultâneo (5 ou mais medicamentos)  em consequência das suas múltiplas patologias.

É responsável por muitos internamentos e várias complicações graves podendo levar à morte.

Nestes grupos farmacológicos podem estar envolvidos medicamentos de venda livre (antitússicos, antigripais, antipiréticos, laxantes, analgésicos, etc.) que são administrados por períodos de curta ou de longa duração.

Quantos mais medicamentos o doente tomar maior é o risco de efeitos adversos e de interações medicamentosas.

Os pacientes idosos pertencem ao grupo de doentes  que mais medicamentos utilizam, devido a padecerem de várias doenças que exigem um grande  aporte de fármacos.

Para além das consequências inerentes a todos os fatores destas associações acresce ainda a maior susceptibilidade e fragilidade que o idoso tem.

Por sua vez existem outros riscos que não devem ser desprezados e que resultam das alterações cognitivas tão frequentes neste grupo etário, que são responsáveis pelo enorme número de esquecimentos diários das tomas dos medicamentos.

Portugal é dos países com maior consumo de medicamentos per capita.

Os estudos efetuados revelam que o consumo é maior no sexo feminino e aumenta com a idade.

Cerca de metade dos doentes polimedicados consome medicamentos receitados pelos médicos.

Grande parte das doenças crónicas tem a sua prevalência aumentada com a idade.

A preocupação com o envelhecimento começou a sentir-se no seculo passado, criando nos governos e na sociedade em geral o sentido de mudança e aumento dos investimentos para responder aos padrões económicos e sociais que este grupo populacional exige.

O crescimento percentual dos idosos na faixa etária dos 80-89 anos de idade mais que triplicou entre 1960 e 2010 e preconiza-se que deverá aumentar dez vezes entre 1960 e 2050.

Esta distribuição não é igual em todos os países, sendo que a Europa, Austrália e América do Norte são os que apresentam maior número, enquanto na América do Sul e a Ásia envelhecem mais rapidamente.

Uma percentagem elevada de idosos tem à volta de 4 patologias que implicam terapêutica cronica contínua.

Por sua vez as capacidades cognitivas vão-se detiorando com a idade e aumentam ainda mais as complicações sistémicas do envelhecimento que podem ser agrupadas em quatro grandes grupos que passam pelas mudanças corporais, equilíbrio entre energia disponível e as necessidades diárias individuais, homeostasia e degeneração neurológica.

A fragilidade do idoso caracteriza-se por uma redução fisiológica e uma resistência diminuída pelo declínio multiorgânico.

As co morbilidades geram as polifarmácias que se traduzem pelo uso inapropriado de múltiplos fármacos.

Cerca de 40% dos idosos usam pelo menos 5 fármacos por semana e 12% usam no mínimo 10 fármacos por semana.

O risco de efeitos adversos e o risco de interações medicamentosas são responsáveis por vários internamentos nas unidades hospitalares e unidades geriátricas aumentando a probabilidade de vir a ocorrer a morte devido a estas complicações.

Um em cada três idosos com pelo menos 5 medicamentos terá uma reação adversa/ano.

Dois terços destes casos necessitam de cuidados médicos.

Cerca de 95% destas reações são previsíveis e destas, mais ou menos 28% podem mesmo prevenir-se.

Estas complicações são mais frequentes em idosos com utilização de um número de superior a cinco fármacos.

Existem normas que devem ser usados para minimizar estes riscos pelo que devemos usar os critérios de BEERS,  rever regularmente a medicação, estar vigilantes em relação às interações medicamentosas, prestar atenção às alterações fisiológicas que surgem com a idade “ingredientes escondidos” e evitar usar medicamentos de venda livre, suplementos ou ervas de origem duvidosa.

Em suma, a utilização de fármacos no idoso é uma realidade inquestionável e imprescindível, porem é espectável que em caso algum os prescritores se esqueçam das alterações farmacocinéticas que afetam a absorção onde se inclui a diminuição da acidez gástrica, a diminuição do fluxo sanguíneo, o atraso do esvaziamento gástrico, as alterações da biodisponibilidade, as alterações que afetam a distribuição, como a diminuição da água total, o aumento da concentração, e a necessidade de ajustar a dose (menor dose), a diminuição da albumina sérica e o aumento da fração não ligada às proteínas como a varfarina, digitálicos etc.

De entre as alterações farmacocinéticas no idoso devemos estar atentos à metabolização, à eliminação primariamente renal que diminui com a idade e é agravada pelas co morbilidades aumentando as concentrações dos fármacos.

Quando falamos das alterações farmacodinâmicas estamos a pensar no aumento da sensibilidade aos fármacos, nas alterações no número de recetores, na atividade dos recetores, nas alterações pós-recetores, nas perturbações dos mecanismos homeostáticos.

A prescrição inadequada (BEERS), a dose exagerada, a função renal deficiente, ou até a prescrição insuficiente ou inadequada (uso de droga com indicação, que não tem indicação, que tem alto risco de reação adversa, que é demasiado cara para uso demasiado curto ou demasiado prolongada).

Por fim como regra de ouro deve ser feita a revisão de toda a terapêutica sempre que se inicia um fármaco novo ou quando se procede à alteração da terapêutica.

A revisão dos fármacos deve ser feita de forma sistemática de 6 em 6 meses.

Toda a prescrição terapêutica deve ser feita com drogas seguras, evitar os fármacos potencialmente perigosos, ter sempre presente o estado de saúde do doente, registar de forma detalhada a historia das medicações previas, ter a noção de que pode haver alternativas ao tratamento farmacológico e não esquecer que se deve explicar de forma clara ao doente o que lhe vai ser ministrado, escrever todas as instruções e “desprescrever” sempres que possível e necessário.

(*) Doutorada em medicina



publicado por Noticias do Ribatejo às 13:19
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