Por: Antonieta Dias (*)
A avaliação dos estados emocionais dos atletas lesionados é um aspeto extremamente importante no período após a ocorrência da lesão. Podem ser úteis alguns instrumentos psicológicos, como, por exemplo, o SCL (Derogatis, 1975) sobretudo as suas escalas de ansiedade, depressão e hostilidade ou o MMPL.
Este último, de acordo com Heil (1993) dá-nos informações sobre dois tipos de atletas. Por um lado, deteta aqueles atletas que se caraterizam por um perfil de “somatização” (atletas que se queixam de múltiplos sintomas fisiológicos) e por outro, aqueles que reconhecem estar afetados emocionalmente por culpa da lesão.
Em ambos os casos pode-se identificar e será conveniente modificar a presença de manifestações emocionais que possam interferir no processo de reabilitação.
Convém salientar que estes instrumentos são muito sensíveis para detetar flutuações emocionais transitórias que podem estar presentes durante as diferentes etapas do período pós-lesão.
Neste sentido, para se poder avaliar com maior consistência e especificidade as experiências emocionais dos atletas lesionados, devem ser usados outros instrumentos mais apropriados como “Profile of Mood States (POMS) (Mcnair, Lorr e Droppleman, 1971), as escalas de Ansiedade e Depressão de Leeds (Smith, Bridge e Hamilton, 1976) e as escalas analógicas visuais de Tyrer(1976).
O POMS é uma escala de avaliação psicológica com 65 itens, de onde se extraem 6 resultados relativas a outras tantas dimensões do estado de humor: tensão/ansiedade: depressão/ira: vigor/atividade; fadiga/inércia: e confusão. Com a exceção de vigor/atividade, todos os estados de humor medidos são negativos. Por isso, o perfil desejado assemelha-se ao conhecido “perfil iceberg”descrito por Morgan (1980).
A versão portuguesa do POMS, adaptada e reduzida por Cruz e Viana (1995) engloba um total de 30 itens respondidos numa escala de tipo Lickert de 5 pontos (0= nada, 5 =extremamente), mantendo-se nesta versão as seis dimensões do estado de humor subjetivo da versão original desta escala.
As escalas de Leeds e Tyrer são instrumentos muito sensíveis às alterações emocionais das pessoas sendo muito adequadas para aplicar em momentos específicos como antes da intervenção cirúrgica, ao longo da lesão ou mesmo logo após o reaparecimento.
De acordo com Buceta (1996)qualquer um destes instrumentos de avaliação ou mesmo outros só devem ser utilizados quando os atletas não coloquem qualquer objeção, podem surgir casos em que os atletas se oponham a estes tipos de instrumentos. Ainda segundo este autor, a resolução deste tipo de situações passa pelo desenvolvimento de uma relação de confiança com o atleta, informando-o sobre a utilidade dos instrumentos para que compreenda a importância da sua utilização.
No entanto, em qualquer dos casos deve realizar-se uma entrevista de avaliação no sentido de conhecer os momentos cruciais do período da lesão, as situações reais a que se associam e as interpretações e significados subjetivos das espectativas, atitudes e crenças do atleta em relação à lesão.
(*) Doutorada em medicina