NOTICIAS DO RIBATEJO EM SUMARIO E ACTUALIZADAS PERIODICAMENTE - "A Imparcialidade Na Noticia" - UMA REFERÊNCIA NA INFORMAÇÃO REGIONAL -
Domingo, 31 de Maio de 2015
TEMAS DE SAÚDE: Contextualização teórica sobre a Saúde em Portugal

ANTONIETA.jpg

Por: Antonieta Dias (*)

O pensamento científico vai para além da escrita e da comunicação teórica, sendo que o brilhantismo numa apresentação oral resulta de uma aprendizagem e experiência baseada na evidência.

Um orador só pode ser bom se for assertivo na mensagem, quer seja em termos de qualidade ou de quantidade.

Quando assistimos a comunicações escassas, pobres de conteúdo e providas de recomendações miserabilísticas, ficamos feridos, magoados, traumatizados e injustiçados.

Se nos recordarmos das recomendações emitidas pela Direção Geral de Saúde, que promovem as medidas de vigilância necessárias para a prevenção das doenças e analisarmos o que na realidade se faz, temos que descrevê-las como um pesadelo que estamos a viver neste momento, porque não conseguimos concretizá-las.

Ao analisar se é oportuno fazer os rastreios, se vale a pena conhecer os hábitos dos pacientes, os seus antecedentes ou o dos seus familiares, para os podermos cuidar adequadamente, ficamos de certeza parados no tempo passado bem distante do presente e sem direção para o futuro.

Será que teremos a curto prazo indicadores que permitam construir um índice global de acesso aos cuidados de saúde? Sinceramente não acredito que isso seja possível neste momento.

Possivelmente a estratégia que está a ser montada, não irá contemplar a prevenção, o tratamento adequado e muito menos a salvaguarda da vida humana.

Quando somos confrontados com a opulência da classe politica e a degradação e miséria vivenciada nos tempos de espera nos corredores das urgências dos serviços públicos hospitalares e comtemplamos o sofrimento dos doentes que deveriam ser internados e permanecem nas macas dos hospitais onde até se fazem transfusões sanguíneas aos doentes sentados nas cadeiras e aí permanecem durante horas pois não existem vagas nas salas de observação para condignamente efetuarem os tratamentos num ambiente adequado. Como profissionais responsáveis não podemos ficar indiferentes e repudiamos esta vivência que tem de deixar de ser um pesadelo vivenciado e carregado de desumanidade que não cabe num contexto real de uma sociedade civilizada e livre que preconiza uma cidadania onde aplicação da igualdade dos direitos humanos é uma realidade e não uma quimera.

Porém ao constatar que mesmo depois de longas horas de espera, o doente regressa a casa com uma receita na mão e quando chega à farmácia verifica que a verba que tem disponível não chega para a aquisição dos medicamentos, sofre e chora e até se questiona se de fato teria valido a pena o sacrifício do tempo da espera, a permanência num ambiente inóspito e desolador, o investimentos técnico cientifico dos médicos para cuidar do seu bem esta se no fim de toda esta cadeia é confrontado com a impossibilidade económica de dispor da verba necessária para a compra dos medicamentos prescritos no receituário?

Segundo o estudo da Universidade Nova, divulgado a semana passada 16% dos portugueses deixaram de avir uma receita por causa do custo dos medicamentos.

Assim ao refletir sobre a mensagem de Sua Excelência o Sr. Ministro da Saúde onde diz que “há portugueses sem dinheiro para comprar todos os medicamentos, mas a situação seria “muitíssimo pior” sem as medidas que foram tomadas pelo Governo”, fico perplexa, desolada e profundamente triste.

Será que ainda não se tornou evidente que a saída em massa de cerca de 3000 médicos da função publica por aposentação teve por base as condições de inoperabilidade do Sistema Nacional de Saúde, vivenciado pelo drama sofrido pelos médicos aos quais não lhe são vetadas condições técnicas e humanas para cuidar dos seus doentes e eles não conseguem aguentar mais a angustia desta frustração e a única saída que encontram para esta frustração é o abandono do nobre trabalho que desempenham.

Sim porque a exigência e responsabilidade que lhes é imputada não é compatível com a forma como estão a ser tratados.

São estes eventos que nos fazem sentir que a saúde está em perigo e que a continuar assim não suportaremos muito mais medidas de austeridade cruéis que colocam vida dos doentes em risco.

A historiografia das ideias politica sobre a metodologia adequada aos programas de saúde está obscurecida pelo mito economicista, mergulhada nas trevas da ignorância e da barbárie.

As teses são demasiado falsas e as ideias de progresso desacreditadas, arriscando-nos a sofrer a amarga experiencia da morte antecipada pela carência de cuidados.

Este drama social, vivenciado pela sociedade civil, deixa a descoberto multifuncionalidades assistenciais fundamentais ao tratamento e ao controlo das doenças.

Os efeitos produzidos por decisões desprovidas do conhecimento científico das “legres artes” ficam mergulhados nas trevas da superstição onde o efeito da ausência da ciência e do conhecimento real é inexorável e desprovido da razão.

A amarga experiencia das decisões desenvolvidas pelo poder político, que controlam e vitimizam de forma nefasta e desumana os nossos doentes e os profissionais que os cuidam não se enquadram no contexto de uma sociedade livre e de progresso.

É legitimo questionarmo-nos se estas decisões sustentadas por carências económicas, cujos reservatórios cognitivos dos poderes públicos se encontram no limiar da legalidade e já começam a enveredar por uma organização ilícita, cujo impacto irá fragilizar ainda mais a sociedade civil vitimando-a e penalizando seres humanos indefesos, impreparados, desprotegidos e sem capacidade de se defenderem.

Nesta panorâmica desenvolvida no seculo das luzes, onde tudo se ultrapassa e se desrespeita para atingir uma única e exclusiva determinação fatalista e determinada por pensadores que vêm uma razão com olhos diferentes para uma realidade fatual desoladora.

Se por um dos olhos não sei se é o direito ou o esquerdo, colocam o enriquecimento ilícito como uma prioridade pessoal pelo outro determinam que a pobreza irá ser cada vez maior na sociedade civil, onde morrer ou viver pouco importa pois as pessoas nada vale.

Será que no passado onde o crime era entendido como uma falta grave, susceptível de aplicação de penas cuja eficácia era reconhecida como a forma assertiva de combater a criminalidade deixou de ter importância no Seculo XXI?

Será que a realidade histórica atual em que vivemos, terá deixado ficar uma outra interpretação do conceito de delito e o terá excluído do pilar do retrocesso da humanidade e o transformou num progresso?

Em suma, é um caso paradigmático para reflexão.

(*) Doutorada em medicina



publicado por Noticias do Ribatejo às 16:33
link do post | comentar | favorito

pesquisar
 
Fevereiro 2020
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9


23
25
26
27
28
29


posts recentes

XII Torneio de 24 Horas d...

Tertúlia Festa Brava (Aza...

CÂMARA MUNICIPAL DO CARTA...

Se procura novas experiên...

Sessão de Esclarecimento ...

Iniciativas no âmbito do ...

RUAS DO CARTAXO INVADIDAS...

Desfiles de Carnaval no E...

O Pátio das Cantigas – No...

Aniversário do Crédito Ag...

Município de Azambuja for...

EXECUTIVO MUNICIPAL EM VI...

Central Elétrica de Tomar...

Seminário sobre as novida...

Assinatura do Contrato Pa...

Festividades de Carnaval ...

SECRETARIADO DO PS CARTAX...

I Duatlo do Entroncamento

O MUNICIPIO DE AZAMBUJA C...

OFICINA DE TÉCNICAS RADIC...

24ª Edição do Mês da Engu...

Conversas com Café… “Adel...

Page 1 GAL DA REGIÃO CENT...

Executivo Municipal de Az...

Alunos e Município unidos...

SUSPENSÃO DO ABASTECIMENT...

CARTAXO: DESFILE DE CARNA...

ÓRGÃOS DO PS/CARTAXO TOMA...

Última semana – XIII Conc...

Suspensão no abasteciment...

arquivos

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

tags

todas as tags

subscrever feeds