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Domingo, 28 de Fevereiro de 2016
TEMAS DE SAÚDE: Implicações no tratamento e recuperação das lesões desportivas

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 Por: Antonieta Dias (*)

 

A presença de estados emocionais adversos, para além de ter influências negativas no bem-estar do atleta lesionado, pode prejudicar consideravelmente a recuperação  da lesão desportiva afetando sobretudo a aderência do atleta às tarefas de reabilitação.

Tendo em conta que, de um modo geral, as tarefas de reabilitação exigem do atleta uma elevada motivação em relação às próprias tarefas, grande autodisciplina, dedicação, esforço, tolerância à dor, etc., parece lógico que os atletas com emoções adversas (v.g.depressão) tenham dificuldades em cumprir todas as exigências do processo de reabilitação.

Por outro lado, a presença de equilíbrio emocional e de uma atitude positiva caraterizada pela ausência de emoções adversas, encontram-se associadas a uma boa reabilitação (v.g. Levleva e Orlick, 1991); Wiese et al, 1991). Neste sentido, é extremamente importante conhecer as reações emocionais dos atletas face à lesão, de modo a implementar as estratégias mais adequadas a cada caso concreto para diminuir e/ou eliminar os estados emocionais adversos facilitando a recuperação.

Por tudo isto, a recuperação psicológica dos atletas lesionados assume uma importância crescente e fundamental no contexto desportivo.

No trabalho de recuperação da lesão, é fundamental a avaliação de determinadas variáveis extremamente importantes no processo. Para além da avaliação da lesão, do seu impacto emocional e da dor associada, no período pós lesão é importante avaliar também variáveis como a adaptação e aderência ao programa  de reabilitação, progresso terapêutico, certas variáveis desportivas e a tendência do atleta para o evitamento ou “fuga”.

A aderência ao processo de reabilitação é fundamental para o sucesso de todo o processo. De acordo com Duda, Smart e Tappe (1989), é importante analisar aspetos como a assistência a assiduidade às sessões da reabilitação, cumprimento das tarefas prescritas e o esforço realizado em cada uma delas.

Ainda segundo estes autores, determinadas variáveis como a motivação interna para a atividade desportiva, as próprias tarefas de reabilitação, a crença na eficácia do tratamento  e a perceção do apoio social por parte da fisioterapêutica, parecem estar relacionadas com a aderência do atleta à reabilitação.

A avaliação do processo terapêutico é algo que deve ser realizado permanentemente estabelecendo-se uma interação contínua entre a avaliação e a intervenção no processo de reabilitação de uma lesão. A avaliação não só indica o caminho a seguir pelo tratamento, como muitas vezes tem funções terapêuticas proporcionando mudanças relevantes que facilitam a atuação das estratégias de intervenção (Buceta, 1996).

Weinber e Goul (1995) baseados na investigação já realizada, salientam que uma recuperação completa exige um trabalho simultâneo ao nível dos aspetos físicos e psicológicos associados à lesão. Os autores chamam a atenção para a importância dos aspetos psicológicos na recuperação e avanção com alguns procedimentos e técnicas psicológicas facilitadoras do processo de reabilitação, salientando-se as seguintes:

  1. a) estabelecimento de uma relação interpessoal “privilegiada” como atleta, procurando compreender a lesão segundo o seu ponto de vista, fornecendo-lhe apoio emocional mas sendo realista e otimista ao mesmo tempo;
  2. b) formação e educação do atleta acerca da lesão e do processo de recuperação:
  3. c) ensino e treino de competências psicológicas para lidar com a situação;
  4. d) preparação psicológica para lidar com atrasos na recuperação ou outros fatores imprevisíveis recaídas;
  5. e) promoção de “esquemas” de apoio social no atleta.

Diversos estudos e investigações têm documentado a importância dos fatores psicológicos na recuperação de lesões assim como a influência de várias competências e estratégias psicológicas na maior rapidez de todo o processo de reabilitação do atleta lesionado.

Levleva e Orlick (1991)num estudo realizado chegaram à conclusão que os atletas lesionados que recuperaram mais rapidamente, eram aqueles que mais frequentemente punham em prática determinadas competências psicológicas, como formulação de objetivos, discurso interno positivo, visualização mental. Manifestam menos preocupações em relação á lesão comparativamente aos atletas que recuperaram mais lentamente.

No âmbito da investigação nacional, um estudo realizado por Neta e Cruz (1996) com atletas lesionados do futebol profissional evidenciou não só a importância  dos processos mantais e psicológicos na recuperação de lesões desportivas, mas também a importância de apoio social, psicológico e emocional aos atletas lesionados. O mesmo estudo parece indicar uma relação entre os vários fatores psicológicos e o processo de uma rápida recuperação  de lesões desportivas.

Os resultados obtidos evidenciaram associações significativas negativas, entres a perceção de confiança na recuperação e as perceções de stress e de intensidade da dor, assim como entre esta e a perceção de rapidez de recuperação. Ao mesmo tempo, foram evidentes as correlações e associações significativas entre as variáveis psicológicas relativas às lesões sofridas e os estados de humor experienciados pelos atletas lesionados.

Dado o importante papel dos processos psicológicos nas lesões desportivas e concretamente a influência que assumem na recuperação destes acontecimentos traumáticos, Cruz e Antonieta Dias (1996) sugerem que a intervenção do psicólogo neste contexto deve ser conceptualizada em torno de quatro pontos principais: a) análise dos comportamentos dos atletas perante as lesões e os seus recursos de confronto para lidar com a situação, b)ensino e treino de estratégias psicológicas com o objetivo de controlar o stress associado às lesões, c)formação e sensibilização de todos aqueles que lidam com o atleta acerca dos comportamentos que podem ter para auxiliar na recuperação, d) cooperar com todos os elementos da equipa médica no sentido de permitir uma comunicação permanente e clara sobre a evolução da recuperação do atleta lesionado.

Na opinião de Buceta (1996), a intervenção psicológica após uma lesão deverá ter quatro objetivos fundamentais:

  1. a) contribuir para o melhoramento do bem-estar e funcionamento psicológico do atleta;
  2. b) promover a eficácia da reabilitação;
  3. c) ajudar os atletas no regresso à atividade desportiva;
  4. d) prevenir e evitar recaídas ou novas lesões.

Cada vez mais, a recuperação psicológica de atletas lesionados assume uma importância crescente nos contextos desportivos e como salientam Weinberg e Gould (1995) “para que a recuperação seja completa, têm de ser considerados tanto os  aspetos físicos como psicológicos associados á reabilitação da lesão “ (p.407). Neste sentido, sempre que uma lesão for diagnosticada é necessário desenvolver de imediato um plano fisioterapêutico e mental para uma recuperação ótima ao mesmo tempo que se desenvolvem as estratégias de recuperação.

(*) Doutorada em medicina



publicado por Noticias do Ribatejo às 08:55
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