Por: Antonieta Dias (*)
O desporto representa por si mesmo e pelas suas múltiplas facetas, uma situação favorecedora da saúde. Ninguém põe em dúvida os efeitos positivos que a prática desportiva proporciona. O interesse cada vez maior pelo desporto tem feito com que o número de praticantes tenha vindo a aumentar consideravelmente.
No contexto atual praticar desporto é uma rotina quase obrigatória, havendo um número cada vez maior de praticantes amadores e profissionais. A idade de início da prática desportiva surge cada vez mais precocemente. Quanto maior for o número de praticantes maior será a probabilidade de sofrerem lesões. As lesões são um obstáculo importante à prática desportiva, podendo impedir temporariamente ou definitivamente a atividade de atleta, conduzindo necessariamente a uma diminuição ou ausência de rendimento conforme a sua gravidade. Esta situação tornar-se-á mais critica ainda se surgir num jovem em face de crescimento
A pubalgia resulta muitas vezes como consequência da prática desportiva, sobretudo nos desportistas de alto nível (futebol, rugby, ski, equitação, esgrima ou ténis), predominando no sexo masculino. Clinicamente podemos dividi-la em três formas de apresentação, que podem surgir isoladamente ou associadas:
1-osteo-artropatia microtraumática;
2-Patologia parieto-abdominal congénita ou adquirida;
3-Patologia músculo –tendinosa dos adutores.
A pubalgia caracteriza-se por uma dor intensa ou progressiva que surge durante o esforço, podendo originar uma artrose da sínfise púbica.
O exame objetivo deve ser minucioso, devendo fazer-se a palpação dos adutores, da sínfise púbica e da parede abdominal inferior. Os exames subsidiários incluem uma radiografia da bacia com duas ancas, que nos mostra os casos típicos um aspeto de “pseudo-artrite” e uma ecografia.
Porém o exame radiográfico é habitualmente normal. Poderá em certos casos completar-se com uma ressonância nuclear magnética. Nos casos mais difíceis poderá ser necessária a R.M.com injeção de contraste.
Alguns autores defendem que esta patologia pode surgir devido a um desequilíbrio entre a coluna e a pélvis no plano sagital e como consequência surge uma hiperlordose lombar e uma horizontalização da pélvis levando a um estiramento dos nervos abdomino-genital e genito crural.
O tratamento obriga a fazer pausa desportiva durante pelo menos 2 a 3 semanas, podendo ir até 12 semanas, com prescrição de anti-inflamatórios durante 3 a 4 semanas. Nalgumas situações pode complementar-se este tratamento com fisioterapia local e eventualmente infiltrações.
A cirurgia (faz-se tenotomia dos adutores, sendo por vezes necessário fazer reforço da parede abdominal) é uma alternativa ao tratamento, estando indicada nas formas parieto-abdominais puras ou predominantes, que não cederam ao tratamento médico e fisioterápico.
É uma patologia frequente nos atletas que praticam o triplo salto, futebol, ski, dança, ténis, equitação, esgrima, etc.
(*) Doutorada em medicina