
Por: Marina Maltez
Verão: sol, praia areia e….livros escolares!
Está a findar a época de férias. E já se sente o ar carregado de profunda nostalgia. E dúvidas existenciais dignas de mais rigorosa análise. Por exemplo: que fotografias colocar nas redes virtuais após dezenas de fotos em bikini, ao por do sol, entre a rebentação das ondas ou simplesmente a comer uma deliciosa bola de Berlim num qualquer areal do nosso país à beira mar plantado? Após estes cenários paradisíacos, em que a roupa diminui mas a criatividade aumenta (há mesmo quem vista o bikini para a foto no seu quatro, em casa, mas vale pelo bikini que é lindíssimo) será precisa muita imaginação para surpreender os amigos virtuais, arrancar elogios carregados de corações e sorrisos e comentários em que a palavra “linda” se repete até à exaustão. Acho que alimenta o ego, pelo menos ouvi dizer.
Findam assim as leituras daqueles romances tipo mousse instantânea ou água com açúcar, verdadeiras terapias de renovação de auto-estima, dignos de foto e publicação e recomendação viva da leitura que pelo menos já mudou mais uma vida, terminam os passeios nocturnos ao luar, a boa disposição que esta época parece trazer a todos que vivem felizes e contentes entre roupa reduzida e comida altamente calórica!
Começam os tormentos! O regresso ao trabalho, as filas no trânsito. O descalçar o chinelo para colocar o sapato. O voltar a ter que usar mais do que duas peças de roupa e mais não digo que o cenário já é dantesco que chegue. E como se não bastasse…há ainda o organizar o ano lectivo dos filhos. Entre as infindáveis novelas os anúncios publicitários lembram os pais que está na hora de encomendar os livros escolares dos filhos. Tarefa hercúlea, já que os preços quase que levam a esquecer que se carregou baterias nas férias, mas nos anúncios é fácil porque basta uma dúzia de cliques no telemóvel e já está. Confesso que experimentei mas não resultou. Ou melhor, os livros vieram mas para além dos cliques tive mesmo que os pagar, e isso não aparece nos anúncios. Quase que me sinto enganada!
Este início do pós-férias ano fica marcado pela polémica que envolve uma conhecida editora do nosso país ao colocar no mercado um livro de actividades para meninos e outro para meninas. Até aqui poderíamos perguntar onde está o problema? Temos que assumir que efectivamente a distinção entre géneros sempre existiu. Por exemplo: as bolsas e mochilas para meninas distinguem-se por representar o mundo imaginário de princesas, enquanto que este material para rapazes é vincadamente marcado pelo mundo dos super-heróis. E até a própria literatura marca esta distinção: temos livros feitos para um público feminino (com pinturas, maquilhagem) e outros mais para o mundo masculino. A questão que gera polémica prende-se com o nível de dificuldade de alguns exercícios que no caso feminino estavam com um nível de dificuldade inferior que nos meninos. E aqui temos o cerne da questão: que estaremos a promover junto das futuras mulheres com este facilitismo (que nem se percebe bem a razão)? As vozes populares ergueram-se de imediato: umas contra estas publicações (que acabaram por ser retiradas do mercado) e outras indignadas com esta distinção sexista em pleno século XXI.
Guardo o meu parecer pessoal para mim mesma. Importa aqui colocarmos algumas questões de suma importância para um futuro cada vez mais próximo:
- que educação estamos a dar enquanto pais? Sim, que a educação vem de casa. É em casa que a criança deve aprender a estar sentado serenamente, a saber ouvir os adultos, a pedir “por favor”, a tratar o docente por “Sr. Professor” e não o “Tu” que esse sim condeno, pois é igualar e isso inverte os valores que devem ser transmitidos;
- que formação está esta escola a dar? Os programas ajustam-se? As cargas horárias são adequadas? Porque não será muito produtivo passar horas na escola se o docente ou técnico especializado não está (muitas vezes porque nem existe);
- que crianças temos hoje? O que gostam de fazer? Como é o seu comportamento? Que rendimento têm na escola? E claro, o porquê? Porque só aferindo razões poderemos mudar algo e criar um sistema, pelo menos, melhor.
Respostas ou soluções mágicas não existem. Mas há que PENSAR e AGIR!
Mas enquanto ainda é Agosto e o acima exposto se torna demasiado cansativo e precoce, vivamos o fim deste verão da melhor forma que nos for possível!