NOTICIAS DO RIBATEJO EM SUMARIO E ACTUALIZADAS PERIODICAMENTE -
"A Imparcialidade Na Noticia" -
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Por: Florbela Gil
É assim que começo,.... Depois de uma espera de seis anos, vou descrever o que passei, porque posso ainda ajudar algumas futuras mães.
29/12/03 - Neste dia dei início ao tratamento que esperava á seis anos, a preparação para a inseminação. Comecei por dar todos os dias de manhã, uma injeção na barriga, fazia "um pneu" e espetava uma agulha fininha (iguais às da insulina) logo de manhã. Nesse mesmo dia, às 12.30h liguei para Lisboa, maternidade Alfredo da Costa, a confirmar o inicio do tratamento hormonal.
15/01/04 - Levantei-me bem cedo,fui no comboio das 6.3Oh, para Lisboa (MAC), e fiz a primeira análise só sangue, e vim embora.
Telefonei às 14h, para saber se estava tudo bem. Disseram-me que sim. E continuei....
19/01/04 - Neste dia iniciei outra injeção para ser dada á noite, mas mantendo sempre a da manhã. E passei a picar-me 2 vezes ao dia. É claro que comecei a engordar um pouco.
26/01/04 - Levanto-me novamente cedo, para ir Lisboa fazer mais análises. Sinto-me cansada, e doi-me a cabeça. Regresso a casa.
Mais uma vez, telefonei às 14h para saber dos resultados hormonais. Não estavam bons. E aumentaram-me a dose da injeção da noite.
São muito caras as injeções, cada caixa custa cerca de 300€..
30/01/04 - Voltei hospital, fazer novamente análise ao sangue e ecografia vaginal, para medir folículos. Ainda tinha poucos, estavam a crescer. Por isso tive que continuar as injeções mais uns dias, para dar tempo ao organismo de fabricar r amadurecer mais óvulos.
02/02/04 - Mais uma viagem Lisboa, mais análises, mais ecografia, para medição de folículos, já tinha uma contagem boa, para o que eles queriam. Estava tudo ok.
Tinha que dar a última injecção neste dia exactamente às 22horas. Uma hormona especial.
04/02/04 - Neste dia, viagem Lisboa, com meu marido para dar entrada na urgência às 7.30h para internamento. Fui vestir o robe, calcei os chinelos, e fui ter com marido sala de espera.
Estava um pouco ansiosa, tinha a barriga muito inchada, e doía-me muito, já me custava a andar, parecia um balão, prestes a rebentar.
Então, por volta das 8.30h(+/-) chamaram o meu marido para ele ir fazer a contribuição dele, o espermograma.
Estava cheia de medo que ele não conseguisse., mas qual não foi o meu espanto, quando ao fim de 10 minutinhos, sai ele da casa banho com ar satisfeito. É claro que fiquei muito aliviada.
Por volta das 11h, foi minha vez, chamaram-me para a sala onde se fazem as punções. FIV.
Estava lá a enfermeira, Rosália e outras, que não sei o nome, mas eram muito simpáticas. Entrou um doutor muito divertido, colocou-me um cateter na mão esquerda para levar a anestesia geral. O líquido começou a correr para a veia.
Eu olhava para o tecto da sala de perninhas abertas, mas atadas para não me mexer.
Adormeci, e sonhei com algo...
Mas o pior estava para acontecer, comecei a acordar cedo demais, a anestesia era de pouca duração, pois quando comecei a acordar, ainda me estavam a mexer por dentro e eu senti muitas dores, pois estavam a arrancar os óvulos a sangue frio. Com a máscara de oxigénio na cara, estava a ser complicado a respiração, mexia a cabeça para os lados para poder respirar, e pedi que me a tirassem. Todos agiram rapidamente no momento, o dr, mandou enfermeira dar-me uma injecção no rabo para eu me acalmar e para as dores. Ainda o ouvi dizer-me, que não podia estar assim tão ansiosa.
Adormeci. Já novamente a acordar, ia numa maca para um quarto, onde estive mais de uma hora sozinha, (recobro). Passado essa hora, mudaram-me para outro quarto onde estavam mais senhoras. Uma hora se passou, estava na hora de levantar um pouco para beber um chá e torrada. Soube-me bem, mas as dores eram muitas, e a barriga enorme, mal podia andar.
Estava muito desorientada, levaram-me para a sala do FIV, vesti-me e voltei para casa.
Às 14h telefonei para saber quantos óvulos me tiraram. Retiraram 11.
O6/02/04 - Dois dias depois voltei hospital, eram 11h manhã quando voltei a ser chamada para a sala de transferências de embriões. O meu marido acompanhou-me.
O Dr, em conjunto com uma Dra, prepararam uma agulha fininha e comprida , cerca de 30/35 cm, onde seguiam dentro dela os dois embriões, que em laboratório se conseguiram multiplicar.
O Dr, ia falando comigo, para me descontrair, e ia introduzindo na vagina a agulha especial, em direcção ao útero, a agulha (que era flexível) e injectou o líquido. Findo este processo de transferência, tive que ficar meia hora com os joelhos juntos e levantados, sem me mexer.
Regresso a casa, cheia de dores, todos os buracos da estrada me faziam quase chorar, repouso absoluto, durante 2 dias, mas só ao fim de 3 dias é que consegui levantar-me e andar um pouco!...
(Continua no proximo Domingo)